Bass Player: Entrevista com Johnny Christ [TRADUZIDA]
- laissdmf
- 10 de jan. de 2014
- 10 min de leitura
A Bass Player Magazine publicou seu artigo produzido com Johnny Christ que foi parte da edição de Dezembro de 2013. Johnny falou sobre as suas marcações em “Hail to the King”, como suas técnicas têm mudado com o tempo, o seu contrato com a Shecter, o seu processo de escrita nas partes do baixo em “Hail to the King”, quais equipamentos ele usa para gravar e tocar em shows, a evolução da seção rítmica do Avenged Sevenfold com Arin Ilejay, como três bateristas diferentes diferenciaram o som da banda em termos de ritmo e mais.
Confira a matéria completa e traduzida abaixo:
Saudação Real: Johnny Christ & Avenged Sevenfold em “Hail to the King”
"Então, quem são as suas influências?'' É uma pergunta que já se mostra tão banal em revistas de música, que a torna vulgar, não importa quão habilmente ela tenha se disfarçado. Felizmente, não é sequer preciso fazer tal pergunta a Johnny Christ do Avenged Sevenfold.
Um rápido giro pelas dez faixas de “Hail to the King”, sexto álbum da banda, deixa brechas à imaginação. O álbum é tocado como se fosse um passeio nas ondas do hard rock dos anos 90, as repercussões de Duff McKagan and Rex Brown chacoalham as reflexões do retrovisor de Cliff Burton.
A banda recebeu uma série de críticas sobre a suas influências, exemplo disso: Robb Flynn, vocalista do “Machine Head”, que foi longe demais ao felicitar satiricamente a banda, insinuando que “Hail to the King” é apenas um álbum de “covers” bem-sucedido. “Odiadores” odiarão, mas há muita coisa para se amar a respeito de “Hail to the King”, o que marca uma nova fase para uma banda que teve início como apenas mais uma banda de metalcore no sul da Califórnia e se tornou um dos maiores atos de hard rock do planeta. Por sua parte, Christ exibe e fala de suas influências em voz alta e orgulhosamente, adicionando muito mais orgulho quando se trata da formação de seu próprio tom, do qual ele produz de forma meticulosa, criando linhas perfeitas com base nos moldes de seus heróis.
BPM: Há alguns momentos do novo álbum em que o baixo realmente se mostra, mas essa claramente não é a sua maior prioridade. Muitos de seus colegas concordariam que essa é uma medida adequada para um baixista.
JC: “Obrigado. Quando se fala de heavy metal e hard rock, especialmente, é onde o baixo deve estar – “bloqueando” com groove na maior parte do tempo. Há momentos evidenciando que você pode tocar – ou, mais importante, acentuar uma parte da música.”
BPM: No cenário do A7x, como trata da marcação do seu som?
JC: “No início eu fazia errado, dava muita atenção as finalizações, sentia mais que ouvia. Quando começamos a trabalhar com Mike Elizondo (produtor) em “Nightmare”, eu toquei muitos Rickenbackers e P-Basses. Esses baixos possuem bastante som e isso ajuda a controlar a combinação do baixo com o bumbo, ao mesmo tempo que adiciona uma textura muito legal as guitarras. Foi assim que o baixo superior e as freqüências mais baixas se tornaram muito importantes pra mim. Nesse tipo de configuração as guitarras soam da maneira que os baixos soam, mas elimine o baixo e vai ver como o som não sairá de forma correta. Eu estou basicamente procurando a melhor maneira de maximizar o impacto das guitarras.”
BPM: Como sua técnica de toque tem mudado ao longo do tempo?
“Quando eu comecei com o Avenged Sevenfold, alguns dos meus sons de baixo favoritos eram do Duff McKagan. Ele tocava com uma palheta, então comecei a fazer o mesmo. Em nossos álbuns anteriores, havia um elemento progressivo em nossas músicas e a palheta deu ao meu tom a presença que eu queria. Eu também cresci ouvindo a baixistas como Steve Harris e Robert Trujillo. Estar em turnê e ver esses caras tocarem, me fez pensar “Bom, acho que sou uma fraude”. Então eu comecei a desenvolver esse meu lado estratégico. Agora toco tanto com palhetas, como com os dedos, depende do som que eu quero. Nesse álbum, “Heretic” é uma canção que parecia requisitar um tipo mais sujo de tom de baixo, então eu usei uma palheta. Eu uso palheta desde os 12 anos, então tem sido uma realização para mim transformar-me no tipo de baixista que usa os dedos. No geral, eu sinto que usar os dedos me dá mais controle sobre as notas. Sendo com meus dedos ou com a palheta, gosto de “agredir” o baixo o máximo eu puder. Eu sempre amei o som percussivo que o baixo faz, aquele que parece com algo se batendo contra uma parede de metal. É algo pelo qual sempre procurei. Ao logo dos anos, tentei de várias formas alcançá-lo. É como qualquer outra pessoa que diz: “Eu realmente gosto desse som, como faço? Como faço?” E apenas agora nesse disco, me vi extremamente feliz com os tons que venho procurando por muito tempo.”
BPM: Por anos você usou os baixos Ernie Ball Music Man StingRay, mas agora você possui um contrato assinado com a Shecter. Como isso aconteceu?
JC: “Eu toquei com StingRays por anos, eles são instrumentos incríveis e a empresa era ótima pra mim. Só que eu queria mudar um pouco as coisas e desenvolver minha própria linha de baixos. Nós falamos sobre fazer algo juntos, mas eles queriam permanecer fiéis ao que estavam fazendo. Mais poder para eles, a marca está por aí há um bom tempo, e obviamente as coisas estão funcionando para eles. Quando eu toquei com os P-Basses e Rickenbackers no “Nightmare”, senti que estava mais próximo do tom que eu desejava. Eu queria que as finalizações dos baixos StingRay combinassem com o clássico “rosnado” dos baixos P-Basses e Rickenbacker. Durante seis meses, a Schecter e eu passamos por seis ou sete combinações de captação diferentes, até finalmente tentar a posição de pescoço em um captador de guitarra EMG 81. Quando tentamos, soubemos que era exatamente pelo que estávamos procurando. Com um botão que faz a mistura de um tom para o outro, o baixo ganha um som amplo, que vai de clareza pianística a um rosnar distorcido. Com um jeitinho, o meio recebe o som que eu geralmente procuro. Depois de 60 anos de baixo elétrico, tudo parece ser a mesma coisa, então é legal quebrar alguns limites e tentar coisas novas.”
BPM: O estilo do corpo e do cabeçote me distraem com a estética Rickenbacker.
JC: “Sim, eu fui a um empresa de design e disse: “Eu quero algo que pareça metal, mas metal clássico.” Não queria nada brega. Eu definitivamente tomei como inspiração os cabeçotes Rickenbacker, porque você olha para esse baixo e percebe que é um equipamento incrível. Do mesmo jeito com as nossas músicas, eu tenho a minha inspiração na manga.”
BPM: Em uma entrevista recente, M. Shadows caracterizou o novo álbum como “um álbum do Avenged Sevenfold dos anos 80 e 90.” Você pensa da mesma forma ao se tratar do baixo?
JC: “Sim, absolutamente. A música do final dos anos 80 ao início dos anos 90, como Metallica, Pantera, foi tudo que eu cresci ouvindo. Diria até Iron Maiden. Ouvindo Steve Harris no final dos anos 70 e início dos 80 foi inspirador e essencial, pois é uma banda de heavy metal que possui todo um grande trabalho de guitarra, mas que também incorpora notas incríveis de baixo. E isso é algo que eu sempre quis fazer. Quando uma música pede por isso, estou pronto para fazê-lo. Mais uma vez, Rex Brown e Duff McKagan são grandes influências pra mim. Cliff Burton é provavelmente a maior delas. Era toda uma nova direção de baixo tocando nessa época. Sonoramente, nessa era da música, tinha muita coisa acontecendo, se você entrasse em sintonia, podia ouvir cada instrumento, mas quando você se senta, é tudo tão pesado e perfeitamente moldado.”
BPM: Como você compôs suas partes de baixo para o “Hail to the King”?
JC: “Dessa vez estávamos escrevendo todos os dias durante nove meses sem parar, então não havia muito tempo para que eu trabalhasse especificamente nas linhas de baixo. Eu estava mais focado nas músicas. Cerca de um mês antes de darmos início à pré-produção foi quando eu comecei a “brincar” com as cordas. Mas o tempo todo eu possuía um pensamento na minha cabeça: “Eu vou colocar no papel algumas escolhas estilísticas, mas ao final do dia, eu quero entrar no estúdio com a minha cabeça limpa em cada canção e realmente sentir a vibração de tudo, de que forma a bateria combina com a guitarra e como tudo está se encaixando.” Então eu pensei no que devia ser aprimorado em relação ao baixo.”
BPM: Você acha que músicas de tempo médio como “Crimson Day” são particularmente desafiadoras?
JC: “Quando a demo dessa música estava sendo preparada, eu estava ocupado tocando outra coisa. Então pensei que seria legal se essa música possuísse um sentimento de balada dos anos 90 e que talvez eu me saísse bem fazendo o estilo de linha clássico do Duff, como ele fez em “November Rain” e “Don’t cry”. Quando as partes da música estavam começando a se juntar, eu estava tocando umas coisas com as quais eu tinha “brincado” por um tempo, e antes mesmo de alguém falar algo, eu percebi que o que eu tinha feito não ia funcionar para essa música. Então eu deixei de lado, ouvi atenciosamente, tentei manter a ordem sonora e segui em frente. Enquanto a música ganhava forma, eu senti que ainda havia um espaço em branco ali, então eu puxei alguns acordes e dei um toque angelical.”
BPM: “Heretic” destaca-se pelo som deformado que possui.
JC: “Para essa música pegamos pesado no captador EMG 81. Ela precisava soar como algo gasto e obsceno. Era uma combinação de quatro coisas: tocar com uma palheta, fazer barulho, dar direção ao captador e abrir espaço para o canal de distorção. Cada elemento foi uma mudança sutil em si, mas todos eles juntos realmente nos trouxe o valor sonoro pelo qual estávamos procurando.”
BPM: Quando você toca com uma palheta, onde você a conecta as cordas?
JC: “Geralmente entre a traseira do “humbucker” e a parte frontal da “bridge”. Eu não mantenho a minha mão em apenas um lugar todo o tempo, eu gosto sentir o movimento.”
BPM: Onde fica o seu ponto de partida para o usar os dedos?
JC: “Normalmente à direita do “humbucker”. Eu descanso o meu polegar no canto superior esquerdo do “humbucker” e os coloco para onde devem ir.”
BPM: Quais equipamentos você usa para gravação?
JC: “Nós usamos um DI para tudo, mas também usamos o meu Gallien-Krueger 2001rb head em um Ampeg 4x10 que tínhamos no estúdio. Fizemos uma espécie de teste cego e esse funcionou de forma consistentemente boa.”
BPM: E ao vivo, quais equipamentos você usa?
JC: “Eu tenho usado o G-K 2001 RB desde sempre. Para mim, ele possui o melhor canal de distorção. Eu uso o canal de distorção do G-K 2001 RB e os envio para amplificador 8x10. O barulho que faço no palco é um pouco desagradável. [Risos] Para o meu canal limpo, comecei a usar o GK Fusion 550, um amplificador sólido com um pré-amplificador de tubo. Eu pensei que poderia soar de forma tranquila e maravilhosa, e aconteceu. Também tenho usado os amplificadores Gallien-Krueger Neo 810, que são inacreditáveis. Estou muito feliz com o meu equipamento de palco nesse momento.”
BPM: Você tem alguma preferência com as cordas?
JC: “Seis meses antes de irmos para o estúdio, Ernie Ball me enviou um pacote de cordas Cobalt para que eu experimentasse. Eu não pretendia mudar, mas quando as usei, elas possuíam um brilho metálico muito bom. Então eu comecei a usar Cobalts.”
BPM: Alguma outra coisa faz parte do seu “ritual”?
JC: “Nada constante, mas há momentos em algumas canções em que eu uso um pedal. Nesse momento estou usando os pedais H2O e ocasionalmente um Dunlop Crybaby Bass Wah. Nosso estilo é um heavy metal simples e um rock pesado, então eu não uso muitos efeitos no baixo. Mas de vez em quando, é legal usar um pedal. É também algo que Duff faria.”
BPM: Da última vez que conversamos, a banda tinha acabado de começar a tocar com o baterista Arin Ilejay. Gostaria de saber se você poderia me falar sobre sua evolução desde então.
JC: “Ele se encaixou perfeitamente. Nós evoluímos juntos, em partes do novo disco, por exemplo, eu realmente entendo o que ele está fazendo, mesmo com seus padrões de vida. Mas no geral, não houve realmente um processo de transição. Ele toca as músicas da maneira que é pra tocar, e dessa maneira é bem mais fácil de trabalhar com ele.”
BPM: Entre Arin, Mike Portnoy e Jimmy “The Rev” Sullivan, a banda passou por momentos bem pesados por trás de tudo isso. Na sua perspectiva, como cada um se diferenciou do outro, em termos de essência?
JC: “The Rev basicamente me ensinou como “caber no bolso”. Ele foi meu mentor, me ensinou muito e eu aprendi tudo apenas tocando com ele. Ele criou uma sintonia com cada um de nós durante os anos. Eu ainda toco da maneira como Jimmy me ensinou a tocar.
Trabalhar com Mike foi ótimo. Quando começamos a turnê Nightmare, ele ouviu muito atentamente a cada demo que o Jimmy já havia gravado e permaneceu fiel a cada uma delas, mas ele era levemente diferente. Jimmy escutava muito funk e jazz, e ele era capaz de fazer de tudo. Mike era um pouco mais metal e progressivo, mas ele definitivamente teve capacidade de fazer acontecer.
Arin cresceu tocando na igreja, então ele possui esse lado gospel. Nós o ensinamos sobre o estilo que queríamos na banda e ele pegou no tranco, ele arrasa. Cada baterista possui sua diferença, mas Arin entende o “groove” perfeitamente e senta atrás da batida. Isso realmente nos influenciou na nossa escolha, especialmente nessas novas músicas. Quando estamos tocando ao vivo e a adrenalina está lá conosco, pode ser difícil de acalmar em música que exija calma. Mas nós temos feito isso por muito tempo, não demora muito para todos nós entenderemos.
Em muitos aspectos, sim. Quando eu entrei na banda, eu era o garoto novo e não entendia muito bem o aspecto de composição de um baixo. Eu só queria chegar e fazer os riffs no baixo, mesmo que não fizesse sentido na música. Agora, eu entendo muito melhor o processo de escrita e também entendo como funciona uma banda. Eu definitivamente evoluí no quesito de organizar as minhas linhas de baixo, ao invés de simplesmente puxar uns riffs. Tal como acontece com outras coisas, quando você pratica o seu ofício o máximo que pode, eventualmente começa a melhorar. Eu ainda estou orgulhoso pelos trabalhos que já fiz no passado, mas sinto que estou amadurecendo a cada álbum, aprimorando e sincronizando. Eu amo tocar, então estou sempre tentando melhorar as coisas.”