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Rolling Stone Italia: Entrevista com Synyster Gates [TRADUZIDA]

  • laissdmf
  • 14 de jan. de 2014
  • 5 min de leitura

Recentemente, Synyster Gates conversou com a versão italiana da revista Rolling Stone sobre estar no cenário musical por 14 anos, sendo considerado “a próxima grande coisa” do metal (em relação a proximidade com o Metallica), a filosofia por trás de “Hail to the King”, o arranjo de “Planets”, a mudança de gravadora da Hopeless para a Warner Bros e mais.

“Os bilhetes esgotados de Novembro para o show no Fórum de Assago foram a prova: A7x já é A BANDA de metal desse momento histórico.”

Andrea Carraro: “Há um motivo para que o mal-humorado Joe Perry do Aerosmith tenha escrito em 1979 uma peça chamada “Let the Music Do The Talking”: guitarristas normalmente não falam. Eles deixam suas guitarras fazerem isso e, tirar pelo menos duas palavras de suas bocas às vezes pode ser muito difícil. Quando eu estava no telefone com Synyster Gates, guitarrista prodígio do Avenged Sevenfold – que hoje em dia é o maior foguete que uma banda de metal pode ter apontado em direção ao sucesso mundial – não foi exatamente uma caminhada. Synyster faz aquele tipo concreto e, a Rolling Stone não pareceu particularmente afetada com isso, mas eventualmente, ele nos falou sobre muitas coisas e nosso encontro às cegas foi menos constrangedor do que pareceu no começo. Se nos encontraremos novamente? Quem sabe? O que você acha?”

Rolling Stone: Você possui em torno de 14 anos de carreira, é difícil afirmar-se como uma banda no cenário musical dos dias de hoje?

Synyster Gates: “Eu não tenho muita certeza se já somos uma banda há tanto tempo assim...”

RS: Eu tenho, a banda foi fundada em 1999!

SG: “Ah, tudo bem, obrigado... A propósito: em alguns aspectos, é mais difícil para alguns e mais fácil para outros. O nosso caso é bastante singular. Nós crescemos juntos, nos conhecemos desde os 10 anos de idade, somos como irmãos. Minha esposa e a esposa do Shadows até são irmãs, somos sortudos. Para ser bem sucedido hoje em dia, bem, as redes sociais lhe proporcionam uma incrível ajuda, elas colocam você em contato com outros músicos, com um promotor que organize as datas, lançar-se fica bem mais fácil.”

RS: Durante anos vocês tem sido vistos como a banda que tomará o lugar do Metallica no coração dos fãs de metal. Como se sente por serem considerados “a próxima grande coisa”?

SG: “Já faz um bom tempo que as pessoas estão falando nisso e, certamente, para nós é uma honra sermos considerados a banda que um dia pode receber o bastão do Metallica. Eles ainda estão por aí e continuam arrasando, mas nós procuramos o sucesso fazendo as coisas da nossa maneira, tocando para os nossos fãs. E se há uma coisa da qual tenho plena certeza, é de que eles são os melhores do mundo, eles são incríveis.”

RS: Antes de gravarem “Hail to the King”, sei que passaram por uma dieta rigorosa baseada em Black Sabbath e Led Zeppelin. Não tenho problemas de audição, no entanto, não consigo entender a influência de algumas músicas.

SG: “Eu cresci ouvindo Led Zeppelin, você pode sentir isso quando toco, mas o que tínhamos em mente para esse álbum era o poder de compreensão por trás das músicas deles. “Hail to the King” queria soar como rock clássico de verdade. Zeppelin e Sabbath foram os melhores na criação de riffs, usufruímos deles e os seguimos como se estivéssemos seguindo um evangelho. Ainda não tínhamos feito quase nada, então vimos que dessa vez precisaríamos acrescentar um efeito AC/DC: um riff foda que possuísse um grande espaço, explodindo junto com a bateria e solos de guitarra de outro mundo. Sem o sentimento certo, você não pode adquirir esse tipo de groove, o tipo de efeito que deve funcionar ao vivo, sem que faça você saltar para todos os lados com o peso da batida. Essa é a filosofia por trás de “Hail to the King”. Musicalmente, nós não podíamos simplesmente escrever aquele tipo comum de blues que já foi reproduzido mil vezes. Então decidimos buscar inspiração na música clássica, para conseguirmos nossos arranjos, nossas melodias e coisas desse tipo.”

RS: Minha parte favorita do álbum, por causa de se seus arranjos, é “Planets”. É menos metal, mas ainda muito boa.

SG: “Obrigado. Bem, essa é com certeza a parte mais progressiva do álbum, apesar de que todas as faixas foram escritas em função do groove. Na minha opinião, o DNA do Avenged Sevenfold corre em uma importante veia de progressivo, e nesse álbum nós queríamos nos revelar, deixando espaço para todas as nossas influências clássicas. A imagem que tínhamos em mente era de um conflito intergaláctico, cheio de meteoritos e coisas de um cenário apocalíptico, que desse a ideia de um filme. Foi divertido escrever, e minha parte favorita do álbum é definitivamente “Acid Rain”, a última música do álbum, que fala sobre a sensação de uma pós-luta intergaláctica, na qual você perdeu e está lá com a sua alma gêmea, sabendo que está prestes a ser varrido fora da face da terra.”

RS: Mas e esse avanço progressivo vem de onde? É tudo culpa de Mike Portnoy? [legendário baterista do Dream Theater]

SG: “Não, ele esteve conosco por cerca de um ano, logo após o lançamento de “Nightmare”. Ele nos ajudou muito na volta à estrada depois da morte de The Rev. Mike ampliou nossos horizontes, nos apresentou muitas séries de televisão, um grande amigo.”

RS: “Hail to the King” não possui nada parecido com “Bat Country”, mas soa muito coesivo, destruidor, homogêneo. Isso foi planejado?

SG: “Com certeza. Quando gravamos um novo álbum, escrevemos um material que é suficiente para pelo menos quatro álbuns e, só depois escolhemos o que melhor se encaixa na economia global do disco. Ouvir um LP sempre demora, e não gosto que seja uma experiência que mantenha inativo, mas quando me dá ideias para uma música, um “flash” de energia nos alcança. Nesse caso, temos à parte um disco bem progressivo com pequenos fragmentos de cada uma das músicas.”

RS: Enquanto Slayer foi patrocinado por uma editora que não condiz com o seu gênero, a Def Jam, que possui um selo por excelência, vocês tinham um contrato com a Hopeless Records, a marca das cenas de punk. Como nos achou? (Warner Bros)

SG: “Bom, eles sempre foram muito legais com a gente, mas depois as coisas pararam de funcionar, então em 2004 nós mudamos para a Warner, que diferente de outras grandes gravadoras, nos garantiu 100% de liberdade artística. A Hopeless nos dava menos controle sobre isso, a Warner, por sua vez, nos permitiu que cultivássemos o crescimento artístico da banda. Até hoje estamos com eles, é a gravadora perfeita para nós.”

RS: Queria poder parar de falar sobre o tópico “drogas recreativas”. Seu ex-baixista, Justin Sane, tentou suicídio ingerindo uma garrafa inteira de xarope com codeína e seu baterista morreu após um coquetel de álcool e remédios. Enquanto o cenário do metal praticamente deixou de exaltar a droga, o hip-hop, por sua vez, está cheio de rappers como Lil Wayne, que ostentam o consumo de “sizzurp”, coquetéis de xarope para tosse e Sprite. O que você acha?

SG: “O hip-hop glorifica os instintos mais básicos: sexo, drogas e violência. O que você acha? Eu não possuo uma opinião particular sobe o hip-hop, mas se eu tivesse um filho, eu provavelmente iria assumi-lo. Se o meu filho quisesse ouvir esse tipo de coisa, eu diria que é normal se divertir, mas que não levasse a sério o que dizem as letras, pois a realidade não é bem assim.”

 
 
 

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