ENTREVISTA: M. Shadows para Full Metal Jackie
- laissdmf
- 31 de mar. de 2014
- 8 min de leitura
Durante uma recente transmissão do programa de rádio ‘Loudwire Nights’, apresentadora do ‘Full Metal Jackie’ falou com o vocalista do Avenged Sevenfold, M. Shadows. Os dois incluíram vários tópicos em sua conversa, incluindo o novo álbum ‘Hail to the King’, o estado da indústria da música no momento, jogar golf durante a turnê e muito mais.
Os fãs do Avenged Sevenfold praticamente “comeram” o ‘Hail to the King’ após o seu lançamento ano passado. Shadows discute o álbum e sua perspectiva atual sobre ele antes de falar sobre as vendas, em comparação aos ‘dias dourados’ nos lançamentos do metal. Shadows também fala sobre sua futura turnê com os grupos Hellyeah e Adrenaline Mob, antes debatendo se o Avenged é ou não uma banda de “metal” a seu ver.
Confira a entrevista transcrita e traduzida na íntegra:
FMJ: No programa de hoje temos conosco o vocalista do Avenged Sevenfold, M. Shadows. Como vai?
MS: “Bem e você?”
FMJ: Ótima. Muito obrigada pela disponibilidade de estar no programa de hoje conosco. Claro, sexto e mais recente álbum da banda, “Hail to the King” – segundo CD à estrear diretamente em 1º lugar. Parabéns por todo o sucesso.
MS: “Obrigado, aprecio sua palavras.”
FMJ: Muitas bandas ficam imersas no processo criativo de um novo álbum e levam de seis meses a um ano até que se sintam prontos para ouvi-lo objetivamente. Agora que já passou por isso, o que mais se destaca para você sobre o “Hail to the King”?
MS: “Eu o amo. Ainda é um álbum de sábia produção criado por nós que eu adoro ouvir. As músicas se traduzem melhor ao vivo do que qualquer outra coisa que já fizemos, por causa do espaço e da simplicidade de tudo e isso fazia parte da nossa meta. A cada álbum que gravamos, nós meio que estabelecemos um objetivo do que queremos realizar. O objetivo desse álbum era criar uma ‘vibe’ de rock/metal clássico e eu acho que conseguimos. Mal posso esperar para sentir aquela ‘coceira’ novamente e tentar descobrir como será o próximo álbum.”
FMJ: Musicalmente seguindo o exemplo de “Hail to the King”, como você gostaria de ver o Avenged Sevenfold, o rock e o metal como um todo numa linha de evolução e desenvolvimento?
MS: “Ah, eu não sei. Acho difícil falar nos quesitos rock e metal porque muita coisa que escuto é coisa antiga. Eu acho que muita gente se prende apenas ao lado técnico do metal, ao que é e não é metal, as batidas fortes e explosivas, mas para mim... Sou uma pessoa que se importa com a música em si. Então eu acho que você pode escrever qualquer tipo de música em qualquer estilo de rock e em qualquer estilo de metal. É o tipo de coisa de que sou fã. Pessoalmente, só quero ouvir música boa. Quero ouvir bandas e pessoas que querem escrever boas músicas nos gêneros de metal e rock, e eu acho que hoje em dia, isso se perde às vezes. Muitas vezes, as pessoas só querem ser mais extremas do que a próxima banda ou a próxima pessoa, sabe? E isso é tudo em que eles se focam. Mas eu não me importo com isso.”
FMJ: Que tipo de coisa você escuta?
MS: “As mesmas coisas que sempre ouvi. Logo antes dessa conversa, eu estava ouvindo Pink Floyd. Eu ouço muito Pink Floyd, The Doors, Elton John, Sabbath, Metallica, Guns N’ Roses, Megadeth... Apenas rock clássico, metal clássico.”
FMJ: Como você se sente com o ressurgimento de muitas dessas bandas? Black Sabbath, obviamente, ainda por aí, lançando álbuns e turnês. Megadeth, também por aí...
MS: “São minhas bandas favoritas, então acho ótimo que eles ainda lancem álbuns e façam turnês. Eles são monstros – Você olha para o Sabbath, olha para o Metallica, Maiden ainda pelo mundo, saber que essas bandas nunca foram embora... Apenas se distanciaram um pouco dos EUA. Pelo o resto do mundo – eles vêm lotando estádios pelos últimos 10 anos, 10-15 anos. Na verdade, quando estávamos em São Paulo, os caras do Metallica também estavam lá. Eles estavam para lotar um estádio, os ingressos se esgotaram instantaneamente. É insano quão grande essas bandas ainda são e é muito legal vê-los por todo o mundo, internacionalmente. Metal e rock são tão massivos.”
FMJ: Você possui a esperança de que o Avenged Sevenfold vai ser uma dessas bandas que resistem ao tempo e que estarão ativos daqui à 20 anos?
MS: “Há sempre uma esperança, mas as coisas mudaram muito. Estamos lidando com uma geração completamente diferente. Com a tecnologia, montes de músicas são empurrados a todo mundo, todos os dias. É muito esporádico. Com Spotify, você compra um disco e nem precisa ouvi-lo, está simplesmente pagando por uma assinatura. Obviamente, eu sou um cara mais jovem, mas mesmo quando eu estava crescendo, as pessoas iam e compravam um CD, e dessa maneira elas tinham que usufruir daquilo. Aquelas bandas se tornaram massivas porque havia um CD a ser adquirido. Eu me lembro de quando o primeiro álbum do Korn foi lançado, e também quando ‘Far Beyond Driven’ do Pantera saiu. Não tinha como eu não ouvir aquilo até à morte, porque eu gastei dinheiro. Agora, com essas assinaturas, vejo as pessoas baixando músicas, e no final nem as escutam. Escutam apenas uma música, realmente nem se importam com a banda. Vai ser muito difícil para bandas como a nossa, também como o Five Finger Death Punch ou o Bullet for My Valentine – bandas que estão chegando agora – se tornarem grandes porque as pessoas se distraem com todas essas coisas que são empurradas para elas todos os dias. Obviamente, seria uma esperança: que poderíamos chegar a esse ponto, mas vai ser difícil.”
FMJ: Eu consigo imaginar. É difícil ser comparado, hoje em dia, com bandas que já existem a mais tempo que o Avenged, é até impossível atingir a quantidade de vendas de álbum dessas bandas históricas que estavam lá quando o negócio da música era melhor.
MS: “Ah, totalmente. Estávamos no mercado quando o declínio começou. “City of Evil” saiu e as pessoas diziam coisas do tipo “Oh, seu álbum só vende uns 30.000 por semana. Número muito fraco em comparação a álbuns de tal banda”. Agora eu vejo um álbum conseguindo 30.000 por semana e qualquer banda morreria por isso, inclusive nós. Simplesmente não acontece mais. Hoje em dia você é Top 20 se conseguir 14.000 por semana. O negócio de comprar CD’s acabou. É muito mais difícil porque você olha para essas bandas que já conseguiram 200 milhões e tipo, isso nunca mais vai acontecer. Não existe uma banda que conseguirá. Então temos que fazer do nosso jeito. Não nos preocupamos em seguir os passos dessas bandas, só nos preocupamos em tocar para os nossos fãs e em escrever boas músicas.”
FMJ: Anos atrás havia Ted Nugent, máquinas de pinball do Kiss, filmes de animação como “Heavy Metal” e “Yellow Submarine”. Agora, sua série animada e seu jogo “Deathbat” dão a seus fãs sua própria mistura de músicas, animações e jogos. De que forma você pensava em relação à suas músicas como animações e vídeo games durante o processo de gravação do “Hail to the King”?
MS: “Não pensávamos nisso de forma alguma, mas o tempo todo nós estávamos desenvolvendo um jogo – ainda não saiu, será lançado daqui uns meses – mas para nós, é uma paixão. Jogamos vídeo games, é a nossa geração. Estávamos falando com o pessoal da Apple, dissemos: “Achamos que isso é algo que o Pink Floyd ou os Beatles teriam feito em sua época se tivessem tido oportunidade.” Videoclipes realmente já não significam muito, todos nós sabemos que a venda dos CD’s não significam muito também, então estamos à procura de maneiras criativas de reconhecimento. Durante os últimos dois anos, temos desenvolvido um vídeo game para aparelhos móveis, pois achamos bem legal. Tenho certeza de que a geração mais jovem vai buscar por isso, e a geração mais velha vai zombar; mas, para nós, é apenas mais uma maneira de ser criativo e queremos ser os primeiros a fazer isso, e fazê-lo bem. “Hail to the King” foi completamente separado e na verdade estamos trabalhando em oito músicas diferenças para o nosso jogo.”
FMJ: Você pode nos falar um pouco mais sobre “Deathbat”? Quando será lançado? O que pode nos contar sobre o jogo em si?
MS: “Está no processo de QA agora, onde são testados jogos como esse. Esperamos que saia no verão, mas é como qualquer outra coisa – quanto está feito, está feito. Sou muito cauteloso nessa coisa de estabelecer datas, porque uma vez que você define uma data e o projeto atrasa um pouco, todos gritam com você. Para nós, quando está feito, está feito. Com sorte será pelo verão, e quando acontecer, esperamos que esteja tudo certo, sem todos aqueles “bugs”.”
FMJ: Então aquelas pessoas que trabalham “fazendo nada”, apenas jogando vídeo games dia e noite, estão agora jogando “Deathbat”?
MS: (Risos) “Sim”.
FMJ: A turnê “Shepherd of Fire” começa dia 12 de Abril. Vai estar acontecendo no meio de Maio. O que é tão emocionante em levar os grupos Hellyeah e Adrenaline Mob em turnê com vocês? E quão próximo você é do pessoal que planeja suas turnês?
MS: “Nós somos muito próximos deles, mas é uma combinação nossa e dos promotores e tentamos fechar contrato com aqueles que achamos que as pessoas vão gostar. Também tentamos colocar nossos amigos e bandas que acabaram de lançar um álbum, em turnê conosco. Vinnie [Paul] me mandou algumas músicas do novo álbum e eu adorei, então decidi mostra-las. Originalmente, na turnê seríamos nós, Motorhead e Hellyeah, mas houve alguns problemas com a saúde do Lemmy e eu não acho que eles queiram se estender para Estados distantes. Decidimos levar o Hellyeah como suporte e chamar nossos amigos do Adrenaline Mob, que também possuem um álbum que acabou de sair. Gostamos de levar nossos amigos em turnês.”
FMJ: Quando vocês estão na estrada, acabam passando tempo com as outras bandas fazendo outras coisas?
MS: “Sim, definitivamente. As pessoas gostam de coisas diferentes, é normal. Alguns de nossos caras, obviamente, bebem muito e também gostam de artes maciais. Eu geralmente jogo golf quando estou de folga, os caras do Hellyeah e o Russel do Adrenaline Mob também, então tenho certeza de que faremos isso em nossos dias de folga. Obviamente nos veremos muito, então nos divertiremos muito nos bastidores. Vinnie é nosso amigo há anos. Sempre que vou à Vegas ou ao Texas, nos encontramos e saímos. Provavelmente o verei daqui a umas semanas quando eu for lá para a despedida de solteiro de um amigo. Eles são nossos amigos e é claro que sairemos juntos.”
FMJ: Estou imaginando todos vocês tirando folga e indo jogar golf. Eu adoraria ser uma mosca na parede. (Risos)
MS: (Risos) “Especialmente o Chad [Gray] com seu moicano. Nos parecemos bastante com os caras do Mötley Crüe, nos divertimos bastante.”
FMJ: Eu sinto que a história do Avenged Sevenfold começou no metal. Como você se sente sobre o local de vocês no mundo da música hoje em dia? Está orgulhoso de suas raízes? O que você acha dos fãs de metal nos dias de hoje e como eles acolheram a banda?
MS: “Há, obviamente, sentimentos mistos em relação ao Avenged Sevenfold e ao metal, mas isso se responde apenas sabendo para onde o metal foi, e não onde o metal tem estado. Eu sinto que o “Hail to the King” é mais um álbum de metal tradicional do que qualquer coisa que já realizamos. Obviamente, “City of Evil” era mais como um alicerce. Tinha um tipo de influência de metal europeu bem louco e melódico.O metal dos anos 80 não soa como o metal de hoje – as baterias descontroladas, as explosões e os gritos – não é nisso que estamos interessados, e se as pessoas quiserem falar que não somos metal por causa disso, tudo bem, seremos chamados de hard rock. Temos músicas como “A Little Piece of Heaven” e “Dear God”, que foram influenciadas nacionalmente pelo Oingo Boingo, assim como “Critical Acclaim”, que teve influências até do hip-hop. Se eu acho que somos uma banda de metal? Sim, e somos totalmente orgulhosos disso, mas se as pessoas falam que não somos, tudo bem também. Cabe ao critério de cada um, eu acho.”